É importante planejar aulas com tecnologia

14/08/2006 § 9 Comentários

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Para Andrea Filatro, a tecnologia deve ser usada sempre com objetivo pedagógico. (Crédito: Divulgação)

Entrevista - O design instrucional é um campo de atuação ainda pouco explorado no Brasil. Trata-se da área responsável pelo planejamento, desenvolvimento e aplicação de métodos, técnicas e atividades de ensino para facilitar a aprendizagem. A autora de “Design Instrucional Contextualizado – educação e tecnologia” (Ed. Senac), Andrea Filatro, deu uma entrevista para o Yahoo! Busca Educação sobre as interseções dessa área do conhecimento e o trabalho cotidiano do professor. Confira as dicas da autora.


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O que é o design instrucional e por que é importante para o professor?
“O Design Instrucional lida com planejamento de atividades pedagógicas mas tem sempre em mente um produto, por isso envolve também o design. É voltado para a elaboração de materiais didáticos destinados ao aluno, como uma apostila ou um site. Por essa razão, é importante também a forma como isso aparece para o aluno. Então, o design instrucional organiza as atividades pedagógicas em um produto concreto e manipulável.
O professor que trabalha com algum tipo de intermediação tecnológica precisa das noções de design instrucional para construir esses projetos.
Com a expansão da tecnologia na educação, é necessário agora que o professor tenha essas noções. Na educação a distância, isso é mais claro pois a tecnologia é o meio e precisa estar a favor da educação. Tudo que acompanha a educação presencial mas que utiliza tecnologia tem que ser planejado com a visão de servir ao objetivo pedagógico.”

Quais são as dicas que você daria para o professor que quer ter noções de design instrucional para planejar sua aula?
“Um designer instrucional precisa ter conhecimento das correntes pedagógicas. Precisa ver o que é aprender e o que é ensinar, e decidir como acredita que se dá a aprendizagem. Depois, precisa ter conhecimento mínimo de mídias, apenas para decidir o que é mais interessante para o seu objetivo e para atender às necessidades do aluno. Por isso a pedagogia é essencial. Esse profissional precisa também entender um pouco de gestão, sem necessariamente um especialista, para trabalhar em projetos desenvolvidos por equipes. Provavelmente, vai contar com produtores de conteúdo, especialistas em comunicações e mídias e precisa interagir com todos. Também precisa ter habilidades de comunicação, porque cada mídias tem suas características. O professor já domina as habilidades de comunicação oral em sala de aula, tom de voz etc.; no design instrucional, precisa entender como é a comunicação em mídia impressa, online.”
Há professores que resistem à tecnologia em sala de aula com medo de que seu ensino fique tecnicista e não tecnológico. O que você acha disso?
“Quanto mais o professor se interesse, aprenda, participe, tenha conhecimento crítico, mais abre espaço para dizer o que quer em tecnologia educacional. Ele não é apenas um consumidor, mas um produtor. Ele terá condição de usar o leque de tecnologias disponíveis para os diferentes tipos de ensino. O professor não deve apenas se apropriar da tecnologia, deve criar. Se o professor fica com medo de que a máquina venha substituí-lo, fica numa posição de refém. As pessoas precisam saber usar para criticar, não ter medo, conhecer e enfrentar para poder vir a ditar o destino das aplicações. Principalmente com a internet, que é um caminho de mão dupla, no qual o professor e os alunos também se colocam.”
Como o professor pode colocar cada vez mais a tecnologia a favor de seu objetivo pedagógico?
“Planejamento de ensino em nível nacional é algo importante, há coisas que os professores não podem influir mas que acabam determinando seu trabalho em sala de aula. É necessária uma política de incentivo. Depois tem o nível institucional, decisões que cada escola ou instituição toma. O professor, no entanto, como agente de inovação, não pode estar alienado da era atual. Precisa trabalhar com questões ligadas à tecnologia educacional. Volto ao ponto de que ele está trabalhando para satisfazer um plano de aula, um objetivo pedagógico.
Adotar uma tecnologia só por moda dá margem a desdobramentos indesejáveis. É preciso se pensar antes de adotar. As webquests são modelos interessantes porque são um recorte com resultados precisos. O professor não precisa ter um grande projeto, basta trabalhar junto com os alunos para explorar a tecnologia.”

A professora Andrea Filatro é mestra e doutoranda em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Pedagoga pela FE/USP, atua como consultora em educação online, com especialidade na área de Design Instrucional. Andrea é ainda pesquisadora-colaboradora do projeto Tidia-Ae/FAPESP e docente convidada no curso de pós-graduação em Design Instrucional da Universidade Federal de Juiz de Fora. Além da publicação pelo Senac, a educador publicou obras didáticas pelas editores FTD e Scipione. Apresentará no 22a Conferência Mundial de EAD o trabalho “Considerações importantes para o desenvolvimento e o uso de ferramentas de aprendizagem”.
Artigos de autoria e co-autoria de Andrea Filatro:
Educación en red y modelos de diseño instruccional – (Em espanhol, PDF)
O Balanço de Inovações em Educação On-Line – (PDF)
Congresso ABED 2004: Design Instrucional Contextualizado
Brazilian Research on Distance Learning, 1999 – 2003: A State of the Art Study – Artigo e Apresentação

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§ 9 Respostas para É importante planejar aulas com tecnologia

  • Rosa Pomerone disse:

    Gostei muito desta entrevista. Tenho observado que muitos professores fazem um uso incorreto da informática na escola. Colocam seus alunos de forma passiva diante das máquinas. Desta forma, não há aprendizado significativo. Na minha opinião, os softwares devem ser bem selecionados e os projetos bem elaborados, com o objetivo principal de garantir o desenvolvimento do aluno. Este deve interagir, pesquisar e criar, aprendendo sempre a dominar os processos de construção do conhecimento, através do uso das ferramentas tecnológicas. Afinal de contas, não é função da escola atual formar digitadores ou robozinhos programadores.

  • Márcia disse:

    Parabéns pelo ótimo texto!
    O link da editora está digitado errado e por isso, não está entrando.
    No site da Editora não encontrei o livro e o nome da autora. Gostaria de comprá-lo. Estou em Lisboa. Como fazer?
    Grata.

  • Renata Aquino disse:

    Olá Márcia! Você tem razão, obrigada por notar o erro de digitação. A Editora Senac comercializa seus livros online ou você pode também entrar em contato com eles para saber sobre distribuidores. O endereço correto foi colocado no post
    http://www.editorasenacsp.com.br/

  • Renata Aquino disse:

    Olá Márcia! Você tem razão, obrigada por notar o erro de digitação. A Editora Senac comercializa seus livros online ou você pode também entrar em contato com eles para saber sobre distribuidores. O endereço correto foi colocado no post
    http://www.editorasenacsp.com.br/

  • Roberto Grobman disse:

    Não há dúvida de que o mundo vive uma mudança de paradigma, um desconforto de todos em busca de respostas diante de tantas mudanças. Isso se deve em grande parte ao avanço da tecnologia. O surgimento da televisão provocou uma enorme mudança de comportamento em uma determinada época, imagine então o computador e a Internet. A possibilidade de manter-se informado sobre diversos assuntos provenientes de diversas partes do mundo instantaneamente era algo inimaginável para as pessoas há apenas algumas décadas atrás, e isso é possível agora.
    O que o professor ou o supervisor escolar têm a ver com isso? Muita coisa. Por quê? Pelo simples fato de que as pessoas com as quais eles lidam, direta ou indiretamente, estão vivendo essa mudança e precisam do auxílio do professor e do supervisor para saber como aproveitar essa mudança da melhor maneira possível para que ela não acabe sendo prejudicial. Os alunos, crianças e adolescentes, estão dentro desse mundo repleto de informações, de novidades tecnológicas convivendo diariamente com isso, e os professores e os supervisores não podem excluir-se, mostrar-se descrentes ou amedrontados diante de tudo isso.
    As novas tecnologias que incluem não apenas o computador com seus programas e a Internet, mas também a televisão, o rádio, o vídeo e, modernamente, o DVD, não podem ser vistas como vilões prejudiciais ou substitutos dos professores. O papel do professor é insubstituível, pois diante de tantas modificações e informações é preciso que haja alguém que auxilie o aluno a analisar criticamente tudo isso, verificando o que é válido e deve ser utilizado e o que pode ser deixado de lado. Apesar da facilidade de acesso a informação que a tecnologia nos permite, o professor continua sendo indispensável para que a tecnologia seja utilizada corretamente.
    O uso da tecnologia em sala de aula é bastante válido no sentido que possibilita “um ensino e uma aprendizagem mais criativa, autônoma, colaborativa e interativa”.(Roberto Grobman). No entanto, o professor ainda, muitas vezes, mantém-se apreensivo e reticente em utilizar a tecnologia em sua aula. Muitas são as razões para que o professor haja dessa maneira: não saber como utilizar adequadamente a tecnologia nas escolas, não saber como avaliar as novas formas de aprendizagem provenientes desse uso, não saber como usar a tecnologia e, algumas vezes por falta de apoio dos colegas ou da escola para o uso de inovações em sala de aula.
    Diante dessas dificuldades e de outras que possam surgir, a solução ou o auxílio devem vir do supervisor escolar. A busca de novas técnicas ou métodos que auxiliem a aprendizagem do aluno é algo constante na ação do supervisor, dessa forma o uso da tecnologia é algo que vem auxiliar essa ação. Professor e supervisor devem caminhar juntos procurando conhecer todas as possibilidades oferecidas pela tecnologia que os auxiliem a desenvolver um ensino e uma aprendizagem em que a criatividade e a interação sejam as principais características.
    O supervisor escolar na questão do uso adequado da tecnologia deve ser parceiro do professor no sentido de conhecer e analisar todos os recursos disponíveis buscando a sua melhor utilização. Nada adianta fazer uso da tecnologia se isso não é feito da melhor maneira possível. As crianças e os adolescentes até podem apresentar, muitas vezes, um conhecimento bem mais adiantado de todas as ferramentas tecnológicas hoje existentes, mas esse conhecimento não será útil se ele não for utilizado de maneira crítica. Supervisor e professor devem caminhar juntos procurando desenvolver, em todos os trabalho envolvendo a tecnologia, a competência crítica dos alunos.
    O uso adequado da tecnologia no ambiente escolar requer cuidado e atenção por parte do professor para avaliar o que vai ser usado e reconhecer o que pode ou não ser útil para facilitar a aprendizagem de seus alunos tornado-os críticos, cooperativos, criativos. Além disso, requer do supervisor escolar uma disposição para aceitar o novo, conhecê-lo senão profundamente, em parte, para ser capaz de julgá-lo e procurar encaixá-lo na sua prática e na do professor da sua escola.
    Dessa forma conclui-se que o uso das novas tecnologias na educação e no ambiente escolar é algo que existe e deve ocorrer. No entanto, é algo que deve ser feito com cuidado para que a tecnologia (computador, Internet, programas, CD-ROM, televisão, vídeo ou DVD) não se torne para o professor apenas mais uma maneira de “enfeitar” as suas aulas, mas sim uma maneira de desenvolver habilidades e competências que serão úteis para os alunos em qualquer situação de sua vida. O uso das tecnologias deve proporcionar dentro do ambiente escolar uma mudança de paradigma, uma mudança que vise à aprendizagem e não o acumulo de informações.
    Roberto Grobman

  • Alinen de Oliveira Rezende Lima disse:

    Achei bastante interessante o assunto sobre planejamento de aulas usando recursos tecnológicos, é um ótimo assunto para tese de mestrado, precisamos saber como os professores de nossa cidade Aracaju estão utilizando os mesmos. Irei sugerir a meu esposo uma pesquisa nessa área já que ele ensina informática e está desejando ingressar no mestrado. o comentário do Professor Roberto Grobman é esclarecedor. Sou cirurgiã-dentista, sonho um dia em poder usar recursos de informática no serviço público para educação em saúde bucal direcionado a crianças.

  • silvia disse:

    estou fazendo o primeiro ano de pedagogia
    sou um pouco contra do aluno encontar a resposta do trabalho pela internet.pois ele nao leu o que pedido.
    a resposta ja vem pronta ele nao tem trabalho para procurar em livros

  • Yazbek disse:

    Roberto Grobman é professor?

  • Josenil Lecino Corrêa disse:

    Achei de fundamental importância os dados apresentados pela Doutoranda profª Andrea Filatro, quando fazemos referência a educação técnológica. O educador precisa realmente ser capaz de lidar com a tecnologia e mescla-la aos conhecimentos pedagógicos para melhor aproveitar estes instrumentos, que bem utilizado, sem sombra de dúvida,é o centro motivador das descoberta e as nossas salas de aula apresentam grande carência neste quesito.

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