Conheça o método Webquest

09/07/2005 § 8 Comentários

Entrevista – Jarbas Novelino Barato é um dos professores que mais divulga no Brasil uma metodologia considerada uma jóia do ensino com tecnologia. O Webquest (tradução literal: busca na web) é um sistema para propor tarefas educacionais com auxílio da Internet. Nessa entrevista, o professor conta mais sobre o assunto.

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Jarbas Novelino Barato, pioneiro de webquests no Brasil e autor do blog Aprendente (Crédito: Arquivo pessoal)

Como começou seu interesse por tecnologia e educação e pelo Webquest?

Comecei a trabalhar com educação e tecnologia quando fui fazer mestrado em 82 na San Diego State University. Já trabalhava no Senac e, ao voltar, trabalhei no PIE (Programa de Informática em Educação do Senac-SP). Criávamos softwares educacionais e o uso de computadores na sala de aula já era uma grande preocupação. Quando estudei na San Diego State University, conheci o trabalho de Bernie Dodge, criador do método webquest. Traduzi os textos de Dodge e trouxe-os para o Senac-SP. Em 2000, consegui trazer Bernie para o Brasil. Após isto, algumas pessoas comecaram a utilizar esse tipo de proposta. Com a ajuda de pesquisadores americanos, fizemos ainda o Sherlock, software educacional ainda comercializado pela Editora Senac. Em 2001, Carlos Seabra da Escola do Futuro/USP conversou comigo para fazer um site para webquest no Brasil. Lançamos esse site e adotei o webquest como uma das coisas que os alunos podem fazer para usar a internet em educação. O percurso inteiro foi marcado por conhecimento e amizade com Bernie Dodge.

Quais os conceitos fundamentais do webquest?

Todo mundo sabe que hoje temos a maior biblioteca do mundo à disposição, a web. O problema é que, quando você manda alguém apenas buscar informações, não se tem resultados significativos. Para pesquisar na Internet, é preciso ter critérios, o que significa ter algum conhecimento prévio do que se está procurando. O webquest é uma proposta de organização de informação para trabalhar com a Internet. O professor precisa fazer um trabalho prévio que ajude os alunos a conseguir informação significativa. Ao fazer o primeiro trabalho, o que Bernie fez foi dividir o assunto em 3 ou 4 fontes diferentes. Dividiu seus alunos em grupos de trabalho com tarefas específicas. Quando os integrantes dos grupos se reuniam novamente, cada um tinha um conhecimento especial, diferente dos outros. Trata-se de uma idéia de aprendizagem cooperativa. O webquest em si não é um provedor de conteúdo, é um modo de organizar informações. Hoje se pode encontrar milhares de webquests online.

Como os professores vêem essas mudanças nas propostas de atividades em sala de aula?

Os professores são sempre injustamente culpados pela defasagem entre a presença da tecnologia na sociedade e na educação. Todas as reclamações vão para o professor. Não gosto disso. Para que dê certo usar a tecnologia na educação, é preciso que existam mudanças na organização. Apenas colocar um laboratório e botar o professor para usar computadores não funciona. Tem que mudar até mesmo a relação da administração da escola com o professor. São mudanças significativas em termos de carga horária, currículo etc. Outro erro é acreditar que boa tecnologia substitui maus professores. A escola que quer começar a usar tecnologia para valer, tem que começar com os melhores professores.

Qual a sua opinião sobre o problema do plágio online?

A metodologia webquest é uma boa resposta para diminuir isto. O coração do webquest é a tarefa, um desafio que o professor cria para que os alunos resolvam. A tarefa tenta imitar o que as pessoas precisam produzir na vida prática. Assim se evita aquele trabalho que pode ser feito por cópia. É importante notar que não adianta apenas proibir o plágio. Mais inteligente é ter modelos de informação e propostas para que o que estude e o que se apresente em termos de resultado não possa ser copiado. O essencial é modificar a educação que temos, onde cobramos mais acumulação de informação que resolução de problemas. Com as novas tecnologias temos oportunidade de virar o jogo, fazer propostas para que os alunos possam estudar informações para transformá-las.

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§ 8 Respostas para Conheça o método Webquest

  • Suzana Gutierrez disse:

    Uma idéia interessante é unir a metodologia da webquest ao formato blog. Facilita sobremaneira aos professores construirem a proposta, bem como, possibilita que as “blogquests” sejam abertas para edição dos alunos.
    Eu trabalhei com esta idéia na minha pesquisa de mestrado e, depois da defesa em julho de 2004, venho reunindo alguns dos trabalhos aqui: http://www.ufrgs.br/tramse/blogquests/
    Sei que o Prof Jarbas é fã dos blogs, também, por isso a minha sugestão.
    abraço,
    Suzana Gutierrez
    http://www.ufrgs.br/tramse/gutierrez/

  • Gílian Cristina disse:

    Estamos testando, pesquisando e desenvolvendo em colaboração com o Professor espanhol Antonio Temprano, uma ferramenta muito interessante e dinâmica para produção de WebQuests, vale a pena conferir em:
    http://www.livre.escolabr.com/ferramentas/wq/
    Gílian Cris
    http://www.gilian.escolabr.com

  • Silvio César Salgado disse:

    O modelo WEBQUEST é interessantíssimo. Chego a atraver-me a afirmar que é a face ‘hi tech’ do Construtivismo.
    É um passo na superação da boçalidade quando o assunto é pesquisa na WEB, que, por vezes, é confundida com o simples copiar/colar de material informativo disponível em sites.
    Sou professor e orientador tecnológico da Rede Estadual de Educação do RJ. Caminhamos lenta e gradualmente na implementação de laboratórios e salas multimídias nas escolas da rede. (Um projeto de médio/longo prazo).
    Na minha unidade escolar, particularmente, já possuimos um bom laboratório de informática e uma confortável sala refrigerada que batizamos de “sala multimídia” (que reune um televisor de 34”, DVD/VHS, HOME THEATER, além de um PC com banda larga, conjugado à toda estrutura).
    Em suma, temos um terreno fértil para aplicarmos experiências em torno da metodologia WEBQUEST e do uso racional e produtivo dos multimeios.
    Em breve, mais notícias.
    Por hora, visite-nos em:
    http://www.ciep476.org.br
    Good vibes!
    Silvio C. Salgado
    Orientador tecnológico – SEE/RJ

  • leandro disse:

    essa matéria é muito boa. escrevam mais sobre o assunto

  • helena disse:

    gostaria de receber mais informações sobre a webquest

  • ana disse:

    Gosto muito das aulas com webquests. Boa dica

  • José Alberto Torres disse:

    Não sou muito a favor de webquest. Apesar de, na entrevista, ficar mais fácil compreender o tema.

  • Ivete Silva disse:

    Gostaria de conhecer exemplos simples de webquests
    sobre matemática
    abs,
    Ivete

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