Software livre, inclusão digital e educação

11/04/2006 § 6 Comentários

Notícia – É cada vez maior a participação de educadores e interessados em tecnologia educacional através do canal Participe do Yahoo! Busca Educação. Recebemos um artigo de André Jaccon, especialista em computação e integrante do projeto Guecos sobre software livre, inclusão digital e educação. Confira e conheça também o projeto que reúne alunos e especialistas em torno do assunto.


“A idéia corrente é que um computador desconectado tem uma utilidade extremamente restrita na era da informação, acaba sendo utilizado quase como uma mera máquina de escrever. Existem inúmeras outras definições, mas neste artigo, o computador desconectado será considerado como a exclusão do acesso à internet e aos projetos de inclusão digital e educação no Brasil. Para isso, a inclusão digital dependeria de alguns elementos, tais como, o computador, o telefone, o provimento de acesso e o conhecimento básico de softwares.
No Brasil, apenas 15% da população tem acesso ao mundo digital. As alternativas que estão sendo estudadas poucas vezes consideram a possibilidade de optar por sistemas e programas, os chamados softwares, diferentes.
Utilizar programas para computador considerados livres garante uma economia na aquisição de licenças de uso. E, portanto, facilita a implementação de projetos de inclusão digital. Além disso, é uma forma de combate ao monopólio que existe atualmente sobre os programas de computador.
Hoje, no Brasil, existem diversos projetos direcionados a inclusão digital. Um deles é o projeto Telecentros, espalhado pelo Brasil inteiro. Os Telecentros são espaços com normalmente 10 a 20 micro computadores conectados à internet banda larga. As principais atividades destes espaços são oficinas especiais e cursos de informática básica.
Cada Telecentro possui um conselho gestor formado por membros da comunidade que ajuda os funcionários na fiscalização e gestão do espaço. A iniciativa deste projeto têm como objetivo capacitar os cidadãos a fazer parte da sociedade da informação, comabatendo a exclusão digital. O software livre é a principal ferramenta dentro destes espaços. Lá, são dados cursos de OpenOffice, GIMP e utilização dos principais gerenciadores de janela das plataformas GNU/Linux, o KDE e o Gnome.
O governo nacional tem uma importante tarefa: capacitar as comunidades para a utilização de ferramentas livres como opção aos software proprietários. Estes últimos são de difícil acesso devido aos preços altos das licenças. O engajamento do governo federal pode ser visto no portal nacional de software livre. Além do portal Telecentros citado acima, com apoio do Ministério das Comunicações, há ainda a iniciativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
Outro projeto organizado por estudantes e desenvolvedores de plataformas livres é denominado Guecos. O projeto mantém um fórum no qual os usuários podem contar com suporte. Participam estudantes e especialistas de Engenharia da Computação, Ciências da Computação e Sistemas de Informação.
Atualmente os alunos de Engenharia da Computação da Universidade Unifai são os principais responsáveis por este projeto. O projeto não possui fins lucrativos e é mantido pela empresa de soluções de tecnologia Blue Systems.
Apesar das turbulências que sempre acontecem na esfera do governo federal, podemos perceber a importância da utilização das soluções livres para o combate da exclusão digital. É fundamental ainda que as instituições educacionais mantenham-se a par das informações online e levem em consideração o assunto.
Para saber mais sobre o projeto Guecos, acesse: http://www.guecos.org.”

Por André Jaccon, especialista em computação e integrante do projeto Guecos

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§ 6 Respostas para Software livre, inclusão digital e educação

  • januária disse:

    Olá André,
    a questão da inclusão digital no Brasil dá mesmo muito “pano pra manga” e, com certeza, as questões levantadas neste artigo nos fazem refletir sobre ela. Agradecemos a sua colaboração e as informações aqui colocadas que podem ampliar o leque de participação dos educadores nete tipo de programa. Vamos torcer que o uso de máquinas e softwares adequados e mais uma formação centrada numa prática pedagógica crítica e que possibilite a ambos – educador e educando – ampliarem seu repertório, possam contribuir para a verdadeira e necessária inclusão digital em nosso país!
    Januária Alves – Cood. de Conteúdo do YBE

  • mauricio disse:

    Olá André
    Software livre é bom, mas quando existe. Tem quem fique se desculpando para não comprar nada ou não fazer nada, pois não tem software livre. Chega de pobreza. No Brasil existem empresas que desenvolvem softwares educacionais e devido a procura pelo Municipio ou Estado de softwares livres, a inclusão digital que voces tanto defendem, continua. Para mim, a procura por softwares livres é para sobrar mais dinheiro e…..
    O que falta é decisão política e foco na educação, coisa que não tem neste país. Software livre é desculpa! Vide o monte de escolas municipais altamente aparelhadas em hardware que não funcionam porque o prefeito não dá continuidade ou não tem interesse na educação. O que dá voto infelizmente não é a educação. Por isso que no Brasil 14% das pessoas são analfabetas.
    Mauricio

  • André Jaccon disse:

    Olá Mauricio, sobre a questão do software livre como ferramenta para ajuda na educação e inclusão digital não vejo isso como uma desculpa. O governo sim pode ter sua pretensão de dizer que apenas com o software livre poderemos alcançar pessoas menos privilegiadas a ter acesso a recursos comuns hoje, como a educação e à tecnologia, como a internet. Porém, muitos projetos, venho a ressaltar, são não-governamentais e sem fins lucrativos e se utilizam destas ferramentas por serem mais acessiveis e de fácil colaboração.
    Concordo contigo, só o software livre não é a solução mas sim o principio dela.

  • marcos disse:

    ola andre gostaria agora que vc falasse sobre como especificamente o software livre contribui com a inclusão digital… barreiras. facilidades, etc

  • Graziele disse:

    Estou com dificuldades em planejar aulas de educação física para crianças especiais, gostaria de receber algumas sugestões como posso planejar as aula.

  • Josenil Lecino Correa disse:

    Gostaria de obter informações de como lidar com alunos com necessidades especiais, tais como: visão,audição, mentais, etc. O planejamento torna-se difícil pelo fato que os institutos ou outras entidades não apresentam profissionais com pós graduação especificamente para esta área. Preciso desta orientação com muita urgência e pedir parcerias para que possamos dar andamento em alguns projetos manuscrito ou mesmo rabiscados.

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