EducaRede 2006: Primeiro dia com 1500 participantes

Notícia – A professora Denise Mafra, da Escola Estadual Joaquim Silvado, enviou para o Yahoo! Busca Educação um relato completo sobre o primeiro dia do Congresso EducaRede. A educadora dá seu ponto de vista sobre os testemunhos dos especialistas e todo o evento. Participe você também do Yahoo! Busca Educação ou comente o texto sobre o evento.


“Ontem no Memorial da América Latina teve início o III Congresso Educarede cujo tema é “Educação, Internet e Oportunidades”. Acontecimento organizado por especialistas em Educação e Tecnologia, pela primeira vez, realiza-se no Brasil. Em seu primeiro dia contou com cerca de 1.500 participantes.
A recepção aos participantes inscritos no Congresso foi tranqüila e agradável. Na cerimônia de abertura os convidados palestrantes nos brindaram com a apresentação das possibilidades que a incorporação das novas tecnologias ao cotidiano escolar poderão nos trazer. Fizeram também uma análise das condições atuais do uso das ferramentas da internet no ensino.
Coube a cada representante das organizações e instituições ali presentes destacar as realizações das mesmas no que diz respeito à implantação das diversas ferramentas facilitadoras da inclusão e do desenvolvimento na área da Informática Educacional.
Os trabalhos das palestras, painéis e oficinas revelaram importantes avanços e, ao mesmo tempo, destacaram os desafios que as condições objetivas nos apresentam na tarefa de educar no mundo contemporâneo.
Na manhã da abertura tivemos a conferência de abertura do evento “Educação e Desenvolvimento: cenários para a Educação em países ibero-americanos”.
Alberto Croce, da Argentina, fundador e presidente da Fundácion SES (Sustentabilidad, Educación, Solidaridad) e Guiomar Namo de Mello, Brasil, EBRAP (Escola Brasileira de Professores) foram os conferencistas. A mediação ficou sob a responsabilidade de Maria do Carmo Brant representante do Cenpec.
Croce iniciou sua fala citando o educador Paulo Freire, para afirmar que jamais, estando no Brasil e em São Paulo, poderia iniciar um evento de educação sem mencionar esse grande educador, bem como sua importância para educação mundial. Parafraseando o mestre brasileiro disse: “Fazer boas perguntas é melhor que dar boas respostas”.
O palestrante argentino apresentou uma abordagem a partir de quatro questões, consideradas por ele, imprescindíveis à discussão “Educação X Desenvolvimento”: a) O que é possível esperar da Educação no contexto atual? b) Que condições de desenvolvimento existem? c) Quais são as pessoas envolvidas? d) Qual o papel do desenvolvimento social?
Alberto Croce afirmou que o grande desafio está na garantia do direito à educação e que isso deve ser um projeto de nação, pois, significa um caminho às conquistas de outros direitos. Só assim haverá construção social. Recuperando uma análise conhecida de Bourdieu, salientou que a educação reproduz o sistema no qual está imersa.
Embora saiba que, como Freire afirmou, a educação sozinha não transforma a realidade total, considera a alta qualidade educacional, o seu grande potencial de transformação, sem o qual a sociedade não muda. Frisou que não é possível falar em educação sem levar em conta antigas questões relativas à qualidade social: valorização do capital humano, investimento no docente e em sua formação continuada, melhoria das condições de trabalho e do ambiente escolar, entre outros.
Para finalizar, Croce deixou uma provocação: “Que modelo de Educação desejamos para os nossos países hoje e nos próximos anos?”
Com o tema “Fotografia e Visão da América Latina”, Guiomar Namo de Mello trouxe-nos novos dados para compor o cenário atual da educação latino-americana.
Situando o Brasil no quadro ibero-americano, destacou que o número de professores brasileiros corresponde à toda população do Uruguai. Um dado que, por si mesmo, revela a dimensão dos desafios relativos aos investimentos no campo educacional. Namo de Mello destacou que o trinômio “Igualdade, Identidade e Qualidade”, respectivamente, nos leva a pensar sobre a garantia ao acesso, o respeito à diversidade e o estímulo à aprendizagem.
Para ela, a identidade é um direito que se concretiza pelo tratamento diferente dos diferentes. Para atender a diversidade, a escola precisa de autonomia, condição que requer a definição de novos rumos e novas diretrizes.
Segundo Guiomar, é necessário um esforço de compreensão do futuro, para pensar o mundo no qual nossos jovens viverão, daqui a 20 anos. Que carreiras profissionais serão importantes? Que profissões ainda existirão e quais serão criadas?
A estimativa apresentada por ela é a de que 70% das carreiras, que serão importantes, ainda não existem. Mais da metade dos que estiverem no final de sua vida produtiva passarão por, pelo menos, duas carreiras antes disso. O conhecimento acumulado no mundo dobrará a cada 73 dias (hoje se dá a cada cinco anos).
Aqui nos permitimos parafrasear Alberto Croce: “Qual modelo de Educação existirá em nossos países nos próximos anos? Que educadores teremos formado? Quem serão nossos educandos?
Refletir sobre a escola que temos e a escola que queremos poderá nos levar a uma reconstrução do contexto educacional, bem como sobre o nosso papel e nossa função diante das mudanças que desejamos.
Encerrando sua fala, Guiomar nos contemplou com as palavras do educador Rubem Alves:
“Hoje não há razões para otimismo.
Hoje só é possível ter esperança. Esperança é o oposto do otimismo.
Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro. Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração. Camus sabia o que era esperança. Suas palavras: “E no meio do inverno eu descobri que dentro de mim havia um verão invencível”. Otimismo é alegria por causa de: coisa humana, natural. Esperança é alegria a despeito de: coisa divina. O otimismo tem suas raízes no tempo. A esperança tem suas raízes na eternidade.
O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre. A esperança se alimenta de pequenas coisas. Nas pequenas coisas ela floresce. Basta-lhe um morango à beira do abismo. Hoje, é tudo o que temos ao nos aproximarmos do século XXI: morangos à beira do abismo, alegria sem razões.
A possibilidade da esperança. (1999)”

Por professora Denise Mafra, da Escola Estadual de SP Joaquim Silvado

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8 Comments

  1. Parabéns Professora e Amiga Denise.!
    É sempre bom saber q ainda tem pessoas preocupada com a educaçao no mundo em que vivemos hoje,cheio de corrupções,maldades e etc.
    Todas essas palavras foram claras,e soube explicar o quanto que a escola não é só liçao no quadro,cópia nao leva mto conhecimento a nós alunos ainda mais em um mundo tão competitivo como o nosso.
    Você merece aplausos ,ser aplaudida de pé por todos os seus alunos por que vc merece..Mais uma vez parabéns.
    Bjs
    Aryane

  2. Denise:
    Adorei ler o teu relato.
    É muito bom te ter como colega virtual!
    Parabéns pelo teu trabalho, sempre tão qualificado.
    com carinho
    Fernanda Camargo

  3. Parabéns, Denise. Então, era isto que vc me disse outro dia! Nossa, feliz e orgulhosa pelo seu trabalho.
    Abraço e sucesso.

  4. Denise,
    Parabéns! É muito bom ver pessoas compartilhando os tesouros que recebe com os outros, e se tornando, por isso mesmo, um novo tesouro.
    É grande minha admiração pela sua garra, pela sua vontade de fazer uma Educação diferente, especial!
    Bjs!

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