Tecnologia educacional no PDE em várias ações

26/04/2007 § 9 Comentários

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Entrevista – O MEC (Ministério da Educação) anunciou ontem o PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação), um conjunto de medidas que irá melhorar a educação no Brasil. Já apelidado de PAC da Educação, o plano traz a idéia de levar laboratórios de informática a escolas de todo o Brasil. O programa Proinfo do MEC já atuava nas principais cidades para a distribuição de tecnologia educacional. Na nova fase, as áreas rurais serão contempladas. O Secretário substituto da SEED, Hélio Chaves Filho, conversou com o Yahoo! Busca Educação sobre o PDE.



Um dos focos do PDE é a idéia da distribuição de laboratórios de informática para escolas públicas. Qual a dimensão desta ação? Pode-se considerar que teremos realmente alunos em todo o Brasil utilizando proveitosamente a internet em sua escola quando?
Não é somente isso. Distribuir computadores é uma ação importante. Mas temos que ter a cultura apropriada para utilização das novas tecnologias. Não adianta colocar os computadores a mais nas escolas sem uma reflexão acerca do bom uso delas. E, paralelamente, não adianta falar em máquina e cultura para uso se não tiver bom conteúdo para a internet. Costumo usar a metáfora que o computador é como uma torneira, não funciona sozinha, precisa estar ligada a um encanamento. Não adianta também termos a torneira e o cano e ao abri-la, ter água contaminada ou conteúdo ruim.
Não se trata, assim, só da tecnologia. Precisamos ter uma visão sistêmica das necessidades para a melhoria da qualidade e atingir as metas em educação. Nesse sentido, é importante a qualificação dos professores, levar energia para as escolas, e outros aspectos. E para a realização destas propostas, se conta agora com um financiamento mais substantivo com o Fundeb, que possibilitará tudo isso. Assim, nossas escolas serão levadas a um patamar de qualidade internacional. Esse é o objetivo do presidente e o afirmou quando disse que nossas escolas terão um patamar de qualidade semelhante ao dos países mais desenvolvidos do mundo.
Em relação a educação básica, temos ainda alguns problemas estruturais. Por exemplo, levar energia elétrica para parte das escolas. Nesse sentido, o programa Luz para Todos irá atuar. Precisamos, então, criar as condições para conectividade entre as escolas. Não se pode mais pensar em escolas isoladas. Temos que formar uma rede de escolas conectadas que conversem entre si, para a socialização de experiências.
O ciclo se completará e teremos os alunos utilizando a tecnologia educacional quando tivermos os primeiros professores capacitados. Parte do Brasil já vive essa realidade mas não se pode levar em conta alguns poucos, temos que pensar em democratização e universalização. Isso acontecerá na medida em que chegarmos a qualificação total e professores no ensino superior preocupados com a inserção harmônica das tecnologias no espaço educacional. O que também só acontece com as condições de infra-estruturas citadas inicialmente estabelecidas.
Nós temos uma programação de entrega de computadores até 2010, para universalizar os laboratórios de informática nas escolas públicas de ensino médio. O MEC está realizando a compra dos equipamentos para entrega através do Proinfo. Até julho de 2007, teremos a entrega de computadores para 7580 escolas do ensino médio, assim todos os estabelecimentos escolares dessa categoria terão máquinas.
Por que e de que maneira é importante que a utilização da tecnologia educacional seja amparada por professores qualificados?
Não dá para pensar em escolas que os professores passem décadas sem voltar a se capacitar, temos que criar a capacitação continuada. Há ainda um grande número de professores sem a formação exigida em lei. Nesses dois últimos aspectos, a formação inicial e a continuada, temos o programa da Universidade Aberta do Brasil que irá contribuir nessa modernização e criação de oportunidades.
A UAB funciona como um sistema com a participação de universidades públicas de ensino superior. As universidades propõem agora os cursos de educação a distância que atenderão os alunos. Teremos laboratórios de informática, de ensino e as universidades atuarão com uso intensivo de tecnologia. Assim, as ações funcionam de maneira cíclica: distribuimos equipamentos, é promovida a capacitação, não é onerado o professor, há um espaço natural para troca de experiências e assim teremos reflexos positivos na docência. A UAB já tem inscritos 756 cursos diferentes e 66% dos cursos voltados para docentes de educação básica.
Parte das escolas que não têm acesso atualmente à tecnologia educacional são as escolas rurais e indígenas. Elas também serão contempladas com as iniciativas do PDE? E há estudos sobre diferenciações para a formação de professores adaptada para essas escolas?
Sim, há preocupação com as escolas indígenas e com as rurais também. O campo hoje passa por um processo de tecnologização que significa que não pode mais continuar sem o acesso a computadores. Nessa linha, a idéia é democratizar e universalizar o uso destas tecnologias.
Não tenha dúvida, no entanto, que é necessário uma adaptação na formação dos professores. Tradicionalmente, tem se feito o uso da tecnologia muito como transposição do ensino tradicional, ou seja, utilizava-se o mesmo conteúdo do livro didático impresso, só que automatizado. Quando falamos em tecnologia queremos romper essas amarras, essas limitações, usar o potencial das novas mídias e o que podem gerar de reflexo para os estudantes em seu aprendizado. Assim temos o programa para formação de professores chamado Mídias na Educação, feito por um consórcio de universidades públicas. E ele irá integrar o conjunto de opções de formação da UAB. A formação dos professores tem que estar impregnada das novas tecnologias, não dá para desvincular mais. Nossa sociedade caminha para a alta tecnologização. Então não há mais como voltar nessa tendência.

Confira as ações do PDE relacionadas a tecnologia educacional:
Computadores e internet – Serão distribuídos computadores para todas as escolas públicas até 2010. O gasto será de cerca de R$ 650 milhões nas 130 mil escolas de educação básica. O acesso à tecnologia acontecerá nas instituições públicas de 5ª a 8ª séries e, posteriormente, 1ª a 4ª séries. Ainda em 2007, serão implantados cinco mil laboratórios nas escolas rurais e 8,8 mil em escolas urbanas de 5ª a 8ª séries, num total de 101,5 mil microcomputadores. A implantação de internet banda larga em todas as escolas de nível médio, urbanas e rurais, será feita a partir do GESAC (Programa Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão), do Ministério das Comunicações. A meta é atender todas as 17 mil escolas de ensino médio.
Guia das tecnologias educacionais – Um edital selecionará as melhores iniciativas sobre aproveitamento da tecnologia na educação para publicação no Guia de Tecnologias Educacionais. O prazo de recebimento das propostas é até 25 de maio. São oito áreas para os projetos: ensino-aprendizagem – metodologia e avaliação referentes aos componentes curriculares; alfabetização – anos iniciais do ensino fundamental; ampliação da jornada escolar; formação continuada de professor; fluxo escolar; leitura: promoção e formação de mediadores; avaliação institucional; gestão educacional. O material poderá posteriormente ser certificado pelo MEC. Qualquer pessoa, física ou jurídica, de direito público ou privado, pode apresentar proposta.
Energia elétrica – Atualmente, 700 mil alunos da educação básica (1,5% do total de alunos) não têm luz na escola. Em 2009, começa a ser instalada a infra-estrutura para energia elétrica em todas as escolas públicas. A iniciativa tem apoio do programa Luz Para Todos, do Ministério de Minas e Energia (MME).
EAD para formação de professores – A Universidade Aberta do Brasil (UAB) e instituições públicas de educação superior oferecerão formação inicial de professores em efetivo exercício da educação básica pública que ainda não têm graduação, quase dois milhões de profissionais. Os cursos serão oferecidos nos 291 pólos de educação a distância. Em 2006, o segundo processo seletivo da UAB registrou 805 propostas de pólos, com 123 propostas de instituições para cursos que iniciarão em 2008. Para atender a demanda de 2007, foram capacitados 1.440 bolsistas, entre professores das instituições federais e coordenadores dos pólos. Em 2007, serão acrescidas 60 mil novas vagas em cursos públicos gratuitos. Somados o curso-piloto de graduação em administração, com 11 mil estudantes, oferecido em parceria com o Banco do Brasil, e o Programa Pró-Licenciatura, que tem cerca de 19 mil professores-estudantes, o programa deverá acrescentar 90 mil novas vagas no ensino superior público no país.

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