“Professores precisam trocar idéias com outros educadores”

29/10/2008 § 19 Comentários

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Entrevista – Miriam Salles é mais do que uma professora que investiga tendências, é uma educadora e blogueira movida pela curiosidade. Ela mantém três sites (1, 2, 3), é minicursista e parte da Comissão Organizadora do I Congresso de Tecnologias em Educação, Miriam respondeu algumas perguntas que sempre estão na mente dos professores que lêem o Yahoo! Busca Educação. Veja o que Miriam tem a dizer para os educadores que ainda resistem à idéia da tecnologia na sala de aula.


Conte um pouco sobre você. Quando você decidiu ser uma educadora blogueira e qual a sua história com os blogs?
Eu era professora de Ciências no Colégio Notre Dame quando comecei a aprender a usar o computador. Me tornei especialista em consultar a seção help dos programas já que meu marido não tinha a menor paciência para me ensinar e eu queria aprender a usar o editor de textos e planilhas. Com aquela história que “em terra de cegos, quem tem um olho é rei”, minha coordenadora decidiu me transferir para o Laboratório de Informática Educacional para dar aulas para os alunos do infantil e das séries iniciais do ensino fundamental. Em 1998 inscrevi meus alunos da antiga 4ª série no Jr Summit (promovido pelo MIT), duas classes foram selecionadas. Foi a partir dessa época que me interessei mais pela internet e pela EAD. No ano seguinte passei a atender os alunos e professores de 5ª série e ensino médio nas aulas e na elaboração dos projetos que utilizavam a informática. Percebi que precisava me fundamentar mais e fiz especialização em EAD na UnB em 1999/2000.
A minha história com os blogs começou em 2003 quando criei o “Acontece no Laboratório”. Nesse blog eu publicava as notícias sobre os projetos e atividades propostas no laboratório, de trabalhos de alunos, depoimentos de alunos e professores. Nesse mesmo ano elaborei um projeto para as classes de 7ª série, em parceria com a professora Ariete Andrade (professora de redação), onde cada uma das classes tinha o seu blog e cada aluno seu próprio login e senha para publicar seus posts. Os alunos ficaram muito entusiasmados e a professora considerou que deveríamos dar continuidade no ano seguinte com as classes de 7ª e 8ª séries. sempre no mesmo esquema, cada classe com seu blog e cada aluno cuidando de seus próprios posts.
Depois do trabalho nesse colégio, no final de 2005, criei o meu blog como uma forma de me manter atualizada e ativa. E desde então, escrevo quase que diariamente, leio muitos blogs, estudo muito e converso muito com outros educadores e blogueiros.
Como você se envolveu na organização do I CTE e como foi construir o mapa dos participantes? Teve muitas surpresas?
A Fátima Franco lançou a idéia do congresso durante o “amigo secreto” da lista blogs educativos do ano passado. Eu fiquei super entusiasmada e me ofereci para ajudar a organizar o congresso.
Construir o mapa dos participantes também foi uma idéia da Fátima. E colocar essa idéia em prática foi uma experiência e tanto: descobri cidades das quais nunca tinha ouvido falar e muitas vezes ficava fascinada com as imagens no Google Maps e no Google Earth daqueles locais. Aumentou muito o número de lugares que quero conhecer!
A surpresa maior foi o número de participantes. Não imaginava que chegaríamos tão longe!
O que você acha que falta para os professores utilizarem mais os blogs nas escolas e o que diria para os professores que ainda resistem ao uso da tecnologia na educação?
Falta para muitos educadores, e aqui não falo só de professores, mas de coordenadores e diretores, um maior conhecimento sobre as possibilidades dos blogs. Infelizmente muita gente que ainda vê os blogs como “diários de adolescentes”. Penso que os blogs, quando utilizados de forma adequada, são um recurso fantástico. Principalmente quando aos alunos são os autores dos blog. Acredito que essa autoria leva a uma maior seriedade, maior comprometimento. Não consigo me lembrar de um aluno sequer que não tenha levado muito a sério um trabalho quando avisado que aquele material, produzido por ele, seria publicado, estaria disponível para qualquer visitante ler e comentar.
Eu diria para os professores que ainda resistem que procurem conhecer bons projetos e propostas que utilizam as tecnologias. Eles vão perceber que não é algo impossível de se colocar em prática. Basta perder o medo do computador e de “ser substituído pela máquina”, procurar participar das listas de discussão, procurar trocar idéias com outros educadores e, claro, estudar! Certamente alunos vão agradecer muito!

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§ 19 Respostas para “Professores precisam trocar idéias com outros educadores”

  • Fátima Franco disse:

    A´Míriam é um exemplo de educadora.É daquelas que corre atrás, que procura aprender e, por isto, ela é uma expert em Tecnologias.
    A escola em que ela trabalhava não tem idéia da profissional que perdeu!!!! Mas, isto foi muito bom porque ganhamos Míriam, para nos ajudar, para nos ensinar e,principalemnte, nos mostrar caminhos.
    É muito bom poder contar com uma profissional como ela, sempre pronta a compartilhar.
    Beijos, Míriam.

  • marta disse:

    Meu sonho é fazer cursos com tecnologia a distância. Fiquei muito feliz em saber destas possibilidades. Quero sempre saber mais noticias.

  • gislaine da silva porto disse:

    estou no primeiro ano de pedagogia e gosto muito de receber informações como essa, desde já agradecida

  • Jenny Horta disse:

    Míriam, o trabalho do educador é sempre seu maior prêmio. Considere-se super premiada, pois me orgulho muito de aprender com você!

  • Illa disse:

    queria ver mais notícias sobre robótica educacional. obrigada

  • Leonor Cordeiro disse:

    Conheci Miriam através do grupo Blogs Educativos. Esse encontro para mim foi um presente.
    Miriam é uma verdadeira educadora. Generosamente sempre compartilha com todos o seu conhecimento.
    Para você, o meu carinho e afeto !

  • Márcia Siqueira disse:

    Parabéns à Miriam e a outros professores que tentam dialogar com alunos numa linguagem que eles conhecem e utilizam. Os educadores que buscam alcançar os jovens com as mesmas tecnologias do cotidiano destes jovens são bem sucedidos em sua árdua tarefa de buscar o interesse e a atenção de uma juventude que acredita que a rua está muito mais interessante que a escola. Iniciativas como esta devem servir de exemplo.

  • Tati Martins disse:

    Parabéns, Renata pela entrevista e pela ótima escolha.
    Parabéns, Miriam, pelo seu exemplo, disponibilidade e comprometimento.
    Só tenho a agradecer a você que tem sido uma grande motivadora de meu trabalho aqui no Rio. Muito aprendi nos últimos meses desde que a conheci.
    OBRIGADA, Miriam!
    Beijinhos!

  • Sílvia Aveiro disse:

    Miriam,
    Você é uma profissional brilhante. Trabalhar com você me fez aprender muito. Parabéns!
    Um forte abraço, Sílvia

  • Miriam é tudo isso que falaram sobre ela e muito mais. Inteligente, curiosa, estudiosa, competente, paciente e, principalmente, generosa, pois sempre está pronta para ajudar a quem menos sabe e a compartilhar seus conhecimentos em seu blog.
    É muito bom ter uma amiga assim.
    Obrigada, querida!

  • Miriam é tudo isso que falaram sobre ela e muito mais. Inteligente, curiosa, estudiosa, competente, paciente e, principalmente, generosa, pois sempre está pronta para ajudar a quem menos sabe e a compartilhar seus conhecimentos em seu blog.
    É muito bom ter uma amiga assim.
    Obrigada, querida!

  • Teresa Pombo disse:

    Miriam, é um orgulho enorme poder conhecê-la. Pena que o tempo falte para colaborarmos mais. Parabéns!

  • Suzana disse:

    Oi Miriam
    Quando tu falas em 2003 trazes para a cena toda uma história dos blogs em educação. É uma longa jornada desde lá. Com avanços, recuos, otimismo e desencanto, por vezes.
    E acertas quando dizes que todos ligados a educação devem olhar com receptividade tecnologias como os blogs e pensar suas formas de inserção na educação.
    Sem receios de serem substituídos “pelas máquinas”, mas com o olho vivo nos que se apropriam da tecnologia para precarizar o trabalho do educador e, assim, a educação.
    abraços!
    Suzana Gutierrez

  • raquel leite disse:

    Conheço Mirian muito bem devido a relações familiares mas, deixando o emocional de lado ela é o máximo do tipo “quem sabe faz a hora não espera acontecer”. Não consigo entender como uma profissional como ela não esta atuando em escolas de Campinas. Sua dedicação e competência vão abrir-lhe os caminhos. Parabéns a yahoo pela escolha da entrevistada. Raquel Leite

  • Denise Vilardo disse:

    Olá, Míriam
    É muito, muito bom poder compartilhar os nossos trabalhos, as coisas nas quais pensamos e as nossas crenças e… encontrar eco.
    Quando te ouvimos/lemos, a sensação é a de estar ao lado de uma pessoa que sempre esteve ali, batendo um papo amigo e sendo plenamente compreendida.
    Parabéns pela sua trajetória e obrigada por permitir que fiquemos pertinho de você.
    Um grande abraço!
    Denise

  • Sérgio F. Lima disse:

    Muito legal a entrevista e importante perceber que usar tecnologias em educação é muito mais uma questão de querer do que de ter algum talento especial.
    É meter as caras e ir aprendendo no processo.

  • Divina Marques disse:

    Boa noite!!Mto prazer!! Sou professora das séries iniciais na rede estadual ! Gosto muito de trocar experiências e gostaria muito de receber algumas sugestões, orientações sobre como tornar minhas aulas mais significativas, fazendo uso principalmente da tecnologia!Obrigada pela atenção!!

  • Divina Marques disse:

    Boa noite!!Mto prazer!! Sou professora das séries iniciais na rede estadual ! Gosto muito de trocar experiências e gostaria muito de receber algumas sugestões, orientações sobre como tornar minhas aulas mais significativas, fazendo uso principalmente da tecnologia!Obrigada pela atenção!!

  • Rui Miranda de Cantuária disse:

    Olá Professora Mirian, meu nome é Rui Miranda de Cantuária tenho 55 anos moro no Estado do Amapá, mas precisamente no município de santana -AP, sou professor formado em 2006, mas nunca trabalhei como professor, uma vez que sou funcionário público federal, e a minha profissão é técnico em saneamento ambiental, então ao ler sua historia na educação gostei muito mas muito mesmo, gostaria de receber detalhes do estudo na educação do EJA, já participei de vários seminários sobre o assunto então se vc, me enviasse mas assuntos ficarei muito grato,
    abraços. Rui Cantuária.

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